Segurança da (sua) Informação é o Maior Ativo

Furto na Petrobras traz à tona espionagem industrial

Posted by maiorativo em 19 de abril de 2010

Este texto pinçado da página da ABIN serve apenas como ilustração ao post anterior.

Não olhe agora, mas o seu colega de trabalho ao lado é um espião. Essa frase, é claro, traz um exagero gigantesco. Mas funciona como uma caricatura de uma contradição real do capitalismo mundial, de volta às paginas dos jornais brasileiros, depois do roubo de dados sigilosos sobre pesquisas da Petrobras em um contêiner contratado pela própria empresa.

“A espionagem industrial é praticada há muitos anos, mas tem crescido a passos largos graças à tecnologia mais barata e ao aumento da competição entre as empresas”, resume Avi Dvir, diretor e dono da Ormax, uma empresa especializada em contra-espionagem localizada em São Paulo.

Quem espera grandes números para comprovar essa afirmação, porém, vai ficar esperando. É impossível. Dificilmente há assunto tão evitado pelas empresas quanto a espionagem industrial. Quem a pratica, por razões óbvias, só fala se for descoberto – ainda assim, só se a Justiça mandar. Quem é vítima, tem medo de ser encarado como vulnerável. De qualquer modo, a consultoria PricewaterhouseCoopers arriscou-se e, depois de ouvir 3,4 mil empresas em todo o mundo, divulgou que um quarto delas já foi vítima de algum tipo de espionagem praticada por concorrentes. O mesmo trabalho estima em mais de US$ 25 bilhões as perdas com roubos de propriedade intelectual apenas nos Estados Unidos.

Os números, certamente, não são tão altos no Brasil, mas, se fossem medidos, impressionariam. Como nos outros países, a tecnologia tornou mais baratos os aparelhos para grampear telefones ou filmar anonimamente reuniões de executivos. Outro aspecto que parece ser unanimidade é que a espionagem, quase sempre, vem da própria casa, praticada por um funcionário contratado.

Dvir, da Ormax, aposta nessa hipótese, ao falar do roubo na Petrobras. Com a autoridade de ser considerado um dos maiores especialistas brasileiros no assunto e autor do livro Espionagem Industrial (editora Novatec), ele não teme afirmar categoricamente: “Com pouca chance de erro, tudo indica que, se a investigação prosseguir e obter sucesso, chegará a alguém de dentro da Petrobras ou da Halliburn (a companhia americana responsável pelo transporte do contêiner do furto)”.

Outro especialista em contra-espionagem, Edilmar Lima, concorda. Para ele, que é diretor da Central Única Federal dos Detetives do Brasil, mais da metade das ações de espionagem são feitas com a ajuda de um empregado contratado pela empresa vítima. “É provável que a Petrobras repetiu dois erros comuns nesses episódios: falha na admissão de pessoal e ausência de medidas preventivas”, diz Lima. Ele e Dvir também acham que a Petrobras, ainda que vítima, não pode ser isenta de culpa. “Se eu fosse diretor da Petrobras, mandaria gente embora. Medidas de segurança claramente não foram tomadas, como encriptar os dados nos computadores”, diz o diretor da Ormax. “Hoje, uma criptografia básica, de 256 bits, exigiria recursos enormes para decifrar, não é algo simples. E isso, tudo indica, não foi feito.”

• LICITAÇÕES SUSPENSAS ATÉ FIM DAS APURAÇÕES

A Polícia Federal (PF) informou ontem que a investigação correrá sob total sigilo. Também investiga o caso a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A PF trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial. O contêiner do qual as informações foram furtadas estava em um navio que partiu do Porto de Santos (SP) em 18 de janeiro em direção a Macaé, situado no Norte fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado havia sido violado.

O caso já levou o governo a decidir não promover nenhuma licitação para exploração das reservas de petróleo dos campos de Tupi e Júpiter até o esclarecimento do furto dos computadores. As licitações já estavam suspensas desde que a Petrobras divulgou suas descobertas de um megacampo de petróleo na camada pré-sal naquela região. Vão continuar na gaveta até a conclusão das investigações. O temor é de que os dados dos computadores, que podem conter informações sigilosas sobre localização e extensão dos poços de Tupi e Júpiter, caiam nas mãos de empresas interessadas em explorá-los. Isso poderia conferir vantagem para essas empresas no processo de licitação.

A própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que há indícios de que o furto de dados pode estar relacionado a um caso de espionagem industrial. No entanto, ela não citou o motivo dessa suspeita do governo. Dilma qualificou o roubo como “lamentável, mas não catastrófico”.

A espionagem industrial é crime, mas são poucos os casos em que alguém termina na cadeia ou paga pesadas multas. “Mais do que constatar a espionagem, o complicado é prová-la e buscar os cabeças da operação”, diz o advogado Luiz Flávio D’Urso, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas. Roubo de informações é comum e crescente no mundo e no Brasil. Para especialistas, caso na estatal brasileira deve ter contado com participação de funcionários da própria empresa.

FONTE: Estado de Minas / Publicado em: 16/02/2008

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